Os The Horrors estrearam-se em 2007 com Strange House - um álbum de punk rock que realça também o bom garage rock e indie rock produzido nesta década em Inglaterra. Numa estreia com um som negro lembrando claramente os filmes de terror com a introdução de pianos facilmente associáveis a este tipo de filmes.Depois de uma estreia em cheio, aclamada pela crítica e, principalmente, pelo público, em que muitos se indetificavam com a imagem da banda, este ano foi dado lugar ao lançamento do "difícil segundo álbum" após uma estreia em grande.
Mas eis que os The Horrors surpreendem o mundo da música com uma volta de 360 graus no seu som! Logo à partida, a utilização da mesma fórmula poderia fazer com que a banda fosse acusada de pouca creatividade e somente uma grande melhoria na qualidade do seu som é que poderia despertar, de novo, a atenção dos média porque os fãs, esses, estariam certos e continuariam a ouvi-los. Mas em vez disso mudaram radicalmente o seu som o que à partida já merece reparo.
Lembrando bandas como My Bloody Valentine, The Jesus And Mary Chain, The Verve ou Sonic Youth, os The Horrors apresentam Primary Colours com um som mais hipnótico, psicadélico, distorcido, sujo e em que as melodias são de difícil distinção, arriscando na conquista de um novo público, sem medo de vender mais ou menos com este segundo álbum. Contudo esta mudança parece que tem como única razão a procura de novas sonoridades, sem muita preocupação com o público.
No entanto, o mais surpreendente neste segundo álbum, produzido por Geoff Barrow dos Portishead, é, para além da mudança de som, a qualidade e a aclamação da crítica por este registo totalmente inesperado que uma banda tão jovem apresenta - aqui há talento e muito trabalho.
Primary Colours é mais pesado em pormenores - como este estilo pede, muito trabalhado, cheio de camadas e sub-camadas de odisseias sonoras. Um mimo para quem gosta de álbuns de difícil digestão, menos comerciais e pouco óbvios que fazem com que o mais requintado ouvinte o tenha de ouvir mais do que uma vez para perceber cada melodia, cada ritmo, cada detalhe.
"Sea Within A Sea" é o avanço deste trabalho, o que à partida deixou muitos ouvintes de parte mas angariou outros tantos. É espacial, negro, imprevisível, complexo.
"Who Can Say", o segundo single, consegue observar uma luz ao fundo do túnel mas continua na escuridão como o resto do álbum. "Three Decades", "Do You Remember", "New Ice Age" ou "I Can't Control Myself" são mais alguns dos exemplos desta nova onda em que a banda mergulhou e merecem destaque por isso mesmo: arriscaram, venceram e convenceram. Nota: 19 - Este álbum demonstra que ainda existem bandas capazes de arriscar e inovar o seu reportório. A procura de novos sons e novas experiências, mesmo que já tenham alcançado o sucesso com o que fizeram antes, é de louvar numa banda tão jovem. De notar com este segundo àlbum é a qualidade "camaleónica" desta banda. Só faltava um pormenor para a nota 20: isto não é uma evolução mas sim mudança.


