Terça-feira, 19 de Maio de 2009

The Horrors - Primary Colours

Os The Horrors estrearam-se em 2007 com Strange House - um álbum de punk rock que realça também o bom garage rock e indie rock produzido nesta década em Inglaterra. Numa estreia com um som negro lembrando claramente os filmes de terror com a introdução de pianos facilmente associáveis a este tipo de filmes.
Depois de uma estreia em cheio, aclamada pela crítica e, principalmente, pelo público, em que muitos se indetificavam com a imagem da banda, este ano foi dado lugar ao lançamento do "difícil segundo álbum" após uma estreia em grande.
Mas eis que os The Horrors surpreendem o mundo da música com uma volta de 360 graus no seu som! Logo à partida, a utilização da mesma fórmula poderia fazer com que a banda fosse acusada de pouca creatividade e somente uma grande melhoria na qualidade do seu som é que poderia despertar, de novo, a atenção dos média porque os fãs, esses, estariam certos e continuariam a ouvi-los. Mas em vez disso mudaram radicalmente o seu som o que à partida já merece reparo.
Lembrando bandas como My Bloody Valentine, The Jesus And Mary Chain, The Verve ou Sonic Youth, os The Horrors apresentam Primary Colours com um som mais hipnótico, psicadélico, distorcido, sujo e em que as melodias são de difícil distinção, arriscando na conquista de um novo público, sem medo de vender mais ou menos com este segundo álbum. Contudo esta mudança parece que tem como única razão a procura de novas sonoridades, sem muita preocupação com o público.
No entanto, o mais surpreendente neste segundo álbum, produzido por Geoff Barrow dos Portishead, é, para além da mudança de som, a qualidade e a aclamação da crítica por este registo totalmente inesperado que uma banda tão jovem apresenta - aqui há talento e muito trabalho.
Primary Colours é mais pesado em pormenores - como este estilo pede, muito trabalhado, cheio de camadas e sub-camadas de odisseias sonoras. Um mimo para quem gosta de álbuns de difícil digestão, menos comerciais e pouco óbvios que fazem com que o mais requintado ouvinte o tenha de ouvir mais do que uma vez para perceber cada melodia, cada ritmo, cada detalhe.
"Sea Within A Sea" é o avanço deste trabalho, o que à partida deixou muitos ouvintes de parte mas angariou outros tantos. É espacial, negro, imprevisível, complexo.
"Who Can Say", o segundo single, consegue observar uma luz ao fundo do túnel mas continua na escuridão como o resto do álbum.
"Three Decades", "Do You Remember", "New Ice Age" ou "I Can't Control Myself" são mais alguns dos exemplos desta nova onda em que a banda mergulhou e merecem destaque por isso mesmo: arriscaram, venceram e convenceram.
Nota: 19 - Este álbum demonstra que ainda existem bandas capazes de arriscar e inovar o seu reportório. A procura de novos sons e novas experiências, mesmo que já tenham alcançado o sucesso com o que fizeram antes, é de louvar numa banda tão jovem. De notar com este segundo àlbum é a qualidade "camaleónica" desta banda. Só faltava um pormenor para a nota 20: isto não é uma evolução mas sim mudança.

Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009

Peste & Sida - Veneno

Um ano depois da sua fundação é editado o primeiro álbum dos Peste & Sida. Veneno é o resultado do trabalho da banda de João San Payo (baixo), Luís Varajoto (guitarra), Raposo (bateria), João Pedro Almendra (vozes) e Orlando Cohen (guitarra), que já tinham participado em nome da banda no 4.º Concurso De Música Moderna Do Rock Rendez-Vous.
Num primeiro álbum cheio de atitude punk, a banda de Lisboa não fez por menos e, declaradamente, mostrou na capa uma das muitas influências que tem. O modo como as palavras "Veneno" e "Peste & Sida" estão colocadas na capa mostram os The Clash como uma das suas maiores inpirações para a música. [Ver capa de Londo Calling dos The Clash aqui.] Mas, para além desta banda, outras poderiam ser enunciadas: Ramones, The Police, The Jam, Sex Pistols, The Who, etc.
Na altura, a banda, fez muitos espectáculos e, ainda, algumas primeiras partes dos Xutos & Pontapés. E temas como "Gingão", "Carraspana", "Furo na Cabeça" e "Veneno" marcam Veneno, numa estreia que prometia e se veio a confirmar pouco tempo depois.
Numa velocidade constante, as palavras de revolta surgem aqui e ali num tom mais ou menos burlesco. As músicas rapidamente entram na cabeça do ouvinte e "Gingão" é o exemplo máximo de uma letra pegadiça e recheada de boa disposição.
Nota: 15 - Numa altura em que já se olhava para o punk feito em Portugal - moda que só chegou cá nos anos '80 (apesar dos Xutos & Pontapés e dos Aqui D'el Rock já terem nascido antes de 1980), os Peste & Sida tornaram-se, na época, a maior banda do estilo punk em solo nacional, em tempos de Ku De Judas, Crise Total, entre outras. Veneno seria sucedido, em 1989, por Portem-se Bem, dois dos maiores sucessos da banda, e seria reeditado em 1990 pe editora Polygram. Um álbum bem disposto com estética punk e cheirinho a ska.

Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009

Bloc Party - Silent Alarm

Depois de dois EPs lançados em 2004, os Bloc Party - banda de Londres, estream-se em 2005 com Silent Alarm. E que grande estreia (!) ao ser eleito o melhor álbum do ano pela revista NME para além de outros prémios arrecadados.
Comecemos pelo maior sucesso deste álbum: "Two More Years", apesar de não estar contemplado na edição primordial, este single transformou-se no mais bem sucedido do álbum quando editado em EP e colocado como faixa bónus nos álbuns re-editados de Silent Alarm.
"Banquet" também alcançou um grande sucesso - a dever-se à exaustão com que esta música rodou ao longo de dois/três anos por parte de uma multi-nacional de telecomunicações nas suas publicidades. Isto fez com que muitas pessoas conhecessem esta música, ou pelo menos parte dela.
Quanto ao álbum, Silent Alarm mostra três faces ao ouvinte: uma com mais energia, cheia de riffs, pequenos efeitos electrónicos e uma bateria "no lugar"; outra mais melancólica, profunda e muito sentimental; e por último uma que balanceia nestas duas.

Na primeira face encontramos faixas como:

  • "Helicopter" - um dos singles que começa com uma guitarra absurdamente irresistível; o ritmo é acelarrado e mostra uma das influências da banda: o punk, neste caso o revivalismo deste;
  • "Positive Tension" - aqui quem comanda é a bateria e o baixo; pequenos efeitos nas guitarras e distroções vão sendo colocadas ali e aqui ao longo da música; a música começa a culminar ao segundo 34 do minuto 2;
  • "Banquet" - riff pegajoso [daí a sua utilização na publicidade]; contudo consegue maçar o ouvinte com o tempo em demasia da própria música;
  • "Price Of Gasoline" - a percussão tem destaque nesta música; a música pede que o ouvinte bata palmas; o ritmo para pista de dança nunca chega a exagerar;
  • "Luno" - mais uma vez o ritmo é acelarado e Kele Okereke - vocalista/guitarrista, não se perde no ritmo que a música pede;

Na face mais melancólica temos:

  • "Blue Light" - é a primeira amostra da melancolia da banda; simples;
  • "This Modern Love" - facilmente nem damos pela guitarra; a voz adequa-se perfeitamente a ritmo; mostra que a banda adequa-se a diversos registos;
  • "So Here We Are" - é a maior balada do álbum transformada em single; derrete;
  • "Compliments" - fecha o álbum; experimental; rock espacial;

No balanço entre as duas faces temos:

  • "Like Eating Glass" - a faixa de abertura do álbum que começa a criar expectativas; parece uma intro;
  • "She's Hearing Voices" - apesar da bateria a voz está num registo mais obscuro; o final experimental corrige esta falha;
  • "The Pioneers" - o coro nota-se; a bateria percorre diversos ritmos;
  • "Plans" - o início de 10 segundos estranha-se mas depois entranha-se; aos poucos muda de um registo obscuro para um registo onde já se vê luz no final do túnel;

Nota: 18 - Silent Alarm é intimista, um álbum onde muitos se identificam. Não perde a energia que se pede a uma banda de rock (e revivalista) e é assumidamente um álbum dos anos '00 [!] - marcante nesta primeira década de 2000.

Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

The Strokes - Is This It


The Strokes são uma banda indie rock de Nova Iorque, formada em 1998 por Julian Casablancas (vocalista e letrista), Nick Valensi (guitarra), Albert Hammond Jr. (guitarra-ritmo), Nikolai Fraiture (baixo) e Fabrizio Moretti (bateria).
Mas, só em 2001 é que é editado o seu álbum des estreia, e que estreia. Comecemos pelos singles:
"Hard To Explain", primeiro avanço, começa por uma bateria invulgar dentro do rock, que rapidamente balança-nos para as guitarras impostas nestas faixa, o baixo segura bem Casablancas que começa aqui, com a sua voz rouca, a cantar frases como "I say the right things, but act the wrong way" - velha sentença que diz que pensamos sempre da melhor forma mas agimos da pior.
"Last Nite" - segundo single, é a mais alta canção deste álbum, colocada nas melhores da década. Com refrão de fácil memorização, recorre ao amor para se expressar.
"Someday" - último single, mais uma vez remete-nos para a adolescência, para tempos de felicidade.
Já tinha sido criada a fórmula vencedora: The Strokes começam a conquistar o público feminino pelas letras e o masculino pelas sonoridades. Um rock cantado em palavras (um pouco) pop, revisitando o velho rock e transformando-o em garage rock com passagem pelo alternativo. Músicas que se assemelham a peças, que encaixam perfeitamente umas nas outras.
"Is This It", abre e dá nome ao álbum, sorrateiramente entra pelo ouvidos, pode criar dúvidas mas o baixo esclarece-as em grande forma.
"The Morden Age" é nome de uma música do seu primeiro EP com o mesmo nome, foi primeiro contacto com o público, e foi transportada para o álbum da melhor forma. Nota-se perfeitamente a linha que a banda queria seguir no álbum de estreia.
Em "Soma", Casablancas vai cambaleando no tom que impõe nas letras mas o riff minimalista que acompanha a música é sedutor demais para não gostar.
"Barely Legal" segue o comboio: riffs e solos, ora ali ora acolá, baixo poderoso, bateria constante e voz rasgada.
"Alone, Together" tem uma guitarra que alcança notas que nos parecem familiares e ao 2m30s é iniciada a 'luta' solos que nos conduz até ao fim da música.

"New York City Cops" é o primeiro nome dado à música do o álbum que foi editado no Reino Unido mas muda de nome ao chegar à America. "When It Started" foi o nome escolhido pelo pior motivo: 11 de Setembro.
"Trying Your Luck" é para se ouvir no Verão.
"Take It Or Leave It" fecha o álbum e bem que poderia ser single. Casablancas canta "Take It Or Leave It" com força e o riff é mais um para a lista de irresistíveis neste álbum.
Nota: 20 - Dos melhores, senão o melhor, de 2001. Permitiu uma nova vaga de indie rock em todo o mundo, especialmente na Inglaterra com os Arctic Monkeys a encabeçarem a frente deste novo movimento. Is This It, já está na história, por muitos descrito como a "salvação do rock" da década de '00 do novo milénio, pois muitos pensavam que o rock estava perdido.